A Quase Ficção da "Prima Arte" ou Um Ensaio sobre os Primórdios da Música de Câmara no Amazonas


Já estou tempo suficiente em terras manauaras e chega um momento que você quer mais é escrever suas próprias descobertas, independente de todos os tratados existentes, seu pensamento é o seu tesouro. Do princípio para toda a sorte de acontecimentos envolvendo ancestrais poéticos e personagens emblemáticos da música de concerto amazonense...
 __________________________........_______________________________

Na Manaus das Belas-Artes, a colaboração com o pensamento livre dos compositores locais, dada a herança de situações históricas semelhantes, quando no passado (1902), um grupo de alunos da Academia Amazonense de Belas-Artes, iniciou um ciclo de apresentações denominado “Históricos”, realizado com o acompanhamento de atividades paralelas, tais como exposições e conferências temáticas, em muito contribuiu para o ajuntamento de diversas formações camerísticas da Academia representada pelo seu Conservatório de Música. 
Por muito pouco tempo, o público pôde apreciar essa leva de concertos e esse pouco tempo de existência, deu-se repentinamente por redução gradativa dos mil réis dos cofres públicos e quando estes faltaram, o conservatório de Música Carlos Gomes reduziu suas atividades às classes de violino e harpa. A borracha e toda a sorte dos seus derivados, perdia seus quinhões para a novidade do primeiro decênio do século XX, o petróleo.Mais que isso, o embargo econômico promovido pelos Estados Unidos, encalhou boa parte da produção nos portos de Manaus e Belém, ricocheteando mamonas nos planos laborais do Barão de Manaus e toda diretoria do Bellas Artes.
Desanuviados, os músicos seguiram por conta própria, alcovados em lugares imrpóprios e esbarrando cada vez mais nas interpéries econômicas de um estado que em um curto espaço de tempo deleitou-se no céu e padeceu no próprio inferno. Uma herança posteriormente exposta nas vias públicas, nos bares e nas casas de condes borrachudos. De modo impetuoso e apaixonado, os frutos auspiciosos da Academia Amazonense de Belas Artes, uniram-se na tentativa austera de manter a própria tradição sem preocupar-se de como e quando seriam pagos e por quem. Joaquim Franco, seu mestre e incentivador, ao lado de outro ilustre, o também violinista Paulino de Mello, respaldavam de algum modo seus alunos, eram poucos mas de grande destaque nos folhetins da época (A Federação, A Capital, Commercio do Amazonas)
Ao entrar nesse conturbado meio em que tenta sobreviver, a música de câmara amazonense dentro do citado acontecimento, remonta aos tempos atuais. Artistas e seus colaboradores não se encontram, não se reconhecem, andam em direções contrárias, ainda que possuam objetivos comuns, não se reconhecem. 

Inicia-se dessa forma, um longo processo de ocupação dos espaços disponíveis para as récitas musicais, em colaboração com a comunidade artística e empresarial da cidade de Manaus. 

O acesso às partituras para a execução das obras dos compositores amazonenses pode preencher de fato uma lacuna substancial de séculos e retribuir o enorme apreço dos seus fiéis ouvintes e executantes, acerca de um amplo trabalho de pesquisa e dos esforços contínuos daqueles cuja história ainda está para ser escrita ou melhor, tocada.

Quem pagará a conta? Cenas dos próximos capítulos...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Páginas em Redemoinho