O Amor nas Calçadas
Na calada da noite, o rumo da ópera se define. Passos rápidos por entre os vagões da linha vermelha do metrô. Chegada ofegante, trancos e barrancos. Subo, procuro, encontro. Fotos para registrar o momento e nenhum sinal dos restos de gala, um coquetel tímido que deixou a todos com as entranhas secas por comida. Meu pensamento está em terras longínquas no berço da ópera italiana, algo entre Venice e Milano. As conversas se perdem em meus ouvidos, pela primeira vez sou a única da mesa a discorrer sobre um assunto alheio ao mundo dos desatinos e das vertigens musicais, da ópera. Quero falar do mar, do meu doce encontro com seu gosto salgado em minha boca, praias e praias de mim alagam os futricos dos bastidores e Verdi foi sossegar no seu descanso eterno. A hora da cena. Sozinha, desce a rua Augusta, sem pressa, aninhada nos próprios pensamentos. Faz o que mais gosta de fazer, observar as pessoas, aqui, no entanto, são elas que a observam, Em um desses cub...