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Mostrando postagens de novembro, 2013

Ode ao Novo

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Nada em nenhuma parte. O teatro está pronto e sobre os olhos secos da plateia, cores translúcidas e um círculo de fogo em cada cabeça, coroando a fronte de inúmeras melodias, novas de tão velhas. É esperada essa noite. Um novo mundo se abre diante da secreta ignorância de uns poucos transeuntes, mas uma pensante maioria tem o coração aberto para todas as experiências degustativas musicais proporcionadas pela "jóia da Coroa sergipana", nossa orquestra.  Se tem algo que não se pode fazer em Sergipe é subestimar a capacidade de interligação do público com sua orquestra, um patrimônio musical recente mas que tantas e tamanhas alegrias nos proporciona. É falso o costume, é falsa uma plateia mórbida. Aqui as pernas fervem, as mãos se entrelaçam e o coração pula no mesmo ritmo assombrado do primeiro ao último movimento, da primeira à última poltrona preenchida. A imprensa presente bradava auxílio, algo que eu sempre fiz e faço de coração, os detalhes que forneço permeiam o im...

Páginas em Redemoinho

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Encerrou-se um ciclo benfeitor de obras executadas sob a égide espiritual de concreto. O ar impregnado de incensos idos, paredes seculares reverberando incontáveis preces e incansáveis salmos, pedidos e promessas, sermões e um órgão de tubos silenciado pela ignorância alheia. São os "Sons na Catedral". Penso se deveriam ser mais puras e sagradas as notas de um concerto dentro de um templo assim, minunciosamente erguido, modificado e ricamente decorado com a fina arte italiana dos afrescos. Possível que não, dada a quantidade de barulhos mundanos provenientes desses barzinhos asquerosos que insistem em reproduzir uma distorção sonora, quase macabra aos ouvidos plasmáticos de Villa-Lobos, de arrepiar os bigodinhos do Rossini! (...) Abertura da ópera buffa " O Barbeiro de Sevilha ", ou "a precaução inútil", como é igualmente cunhada, está na ponta dos arcos, na primeira respiração dos sopros, solta-se o brilho de uma história cômica e tradicional do reper...

Cabala

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Eu tenho uma trilha sonora para transpor cada momento da vida, é uma compilação de álbuns, vinis, Eps e Cds de muita gente, um para cada minuto variável do dia, do mês, da saudade de necessitar de uma obra qualquer que se encaixe no sofrimento, na alegria, na loucura, no amor e no sexo. Eu tenho uma música sem rosto. Algo não vai bem quando ela volta, como tem voltado em outros tempos decisivos, passando curtas temporadas mas sempre a escuto de modo diferente, uma nota, um instrumento, uma voz, seus intérpretes não se repetem, mas se desviam. Uma oração de origem desconhecida e de um sentido singular na fé judaica, das mais solenes. A música foi composta por um judeu e seu objetivo era tornar ainda mais belo algo indefectível e cheio de palavras redentoras e reconciliadoras entre um Deus paciente e amoroso e a plebe pecadora, perdida e irreparável em seus erros. Kol Nidrei é executada durante a cerimônia do Yom Kippur, o Dia do Perdão. É essa a exata medida dos meus atos. Livro-me ...